quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

O que eu não disse para mim

Eu disse para todo mundo
Que finalmente consegui te esquecer.
Que eu estava feliz e tanto,
Sem sequer saber o quanto
Me doía não pensar em você.

Eu calei o meu coração.
Me entreguei a uma nova paixão.
Acho que fiz quase tudo direito
Para expulsar do fundo do peito
Qualquer chama de esperança e ilusão.

Me afastei dos seus amigos
Só para não mais te encontrar.
Amei de novo, desamei, chorei.
Vi na estação tanto trem partir
Sem me importar com o que haveria de vir.

Esperando um outro janeiro
Eu quis ser um jardineiro
Com minhas rosas, cravos e jasmins
Plantando todos na tempestade,
Me convencendo que aquilo era o fim.

Eu quis encarar a felicidade
Disse a todos que eu não te amava
Só não disse isso para mim.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Uns dias sem você

Foto: Tatiana Mendes













Chego ao hotel e faço o check in.
Será difícil para mim
Saber que durante alguns dias
Só ao telefone serás minha companhia.
As noites serão sem graça
Mesmo com a estrela mais bela
Me espreitando pela janela
Porque uns dias longe dos teus olhos
É não saber o farol que me guia.
Me lembro das horas passadas
Um beijo, um aceno um sorriso
Pra esconder a lágrima iminente
E o grito –Te amo! - dentro da gente.
Enquanto o avião decolava
Deu vontade de jogar tudo pro alto
E ir correndo para os teus braços
Desatar a gravata, tirar os sapatos
E junto corrermos descalços
Como crianças sem preocupação.
Mas se tem que ser assim
Que seja então por pouco tempo.
Eu queria que aquele avião
Fosse da esquadrilha da fumaça
Para eu desenhar no céu um coração
E deixar em teu rosto mais graça.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Quando tento te negar

Toda vez que tento te negar
É motivo para eu me entregar.
Mas a entrega nunca acontece,
Porque o medo feroz se agiganta
E o chamado morre em nó na garganta.

As palavras que você nunca diz
Ecoam sempre em meus ouvidos,
Depois me adormecem no peito tenso
E como inseto procurando a luz
Morro no absurdo escuro do silêncio.

Assim se vai mais um dia
Agonia divina que não quero sentir
Coração cheio de palavras por falar
Olhos mostrando o que não sei esconder
Toda vez que tento te negar.

domingo, 14 de fevereiro de 2010

A resposta que eu precisava

Hoje fiquei com vontade
De saber se há alguém ao seu lado.
Eu não sei se é saudade
Sufocada em meu peito calado
Ou coisa boba que estou inventando.
O tempo que passamos juntos
Parece que dura uma vida,
Por isso deve ser alguns restos
Dessa minha paixão escondida.
Eu preciso saber o que há
Entre mim, você e o tempo
E por que não consigo tirar
Você do meu pensamento.
Perguntei ao meu coração
Quem será que hoje te ama,
Sendo por você correspondido?
E confesso sem medo algum
Que a resposta me convenceu:
Tum Tum
...
Tum Tum
...
Tum Tum
...
EU!

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

A definição do que sinto

A paixão é o amor escrito
Nas entrelinhas do seu corpo.
É uma vontade urgente
Que seu barco atraque em meu porto
Trazendo como novidade
A morte de uma saudade

A paixão é olhar nos seus olhos
E ver dentro deles diamantes.
É querer sempre chegar antes
Para esperar você passar
Por uma rua de brilhantes
Que em meus sonhos mandei ladrilhar.

A paixão é sentir que a boca
Pronuncia palavras sábias
Quando estou pensando em você.
É querer que o sol brilhe todo dia!
A paixão é metáfora que invento
Para te descrever nesta poesia.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Só em São Paulo

Foto: Alcides









Vejo os primeiros pingos pelo vidro do carro.
Pessoas apressadas fogem do temporal
E as nuvens anunciam que quem ficou pra trás
Vai sofrer na Marginal.
Chego em casa e, na secretária,
Nenhum telefonema.
Ligo a tv
As notícias são sempre as mesmas:
Falam sobre o dólar e o tempo,
Eu queria saber algo mais.
Acabou a energia e não há nada a fazer
Senão fingir que estou bem
Depois ir pra cama dormir sem você.
Enquanto durmo a chuva bate na janela
Sonho que você voltou, é primavera
E acordo no meio da noite, você não está.
Enquanto durmo a chuva bate na janela
Acordo chorando e vejo a porta entreaberta
Por onde sempre espero você voltar.

PS. Este poema foi reeditado para lembrar que chove há 43 dias em São Paulo.


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A dor que estava escondida



Desde que você foi embora
Eu engoli a minha dor.
Guardei num lugar seguro,
Escondi bem dentro de mim
Para que ninguém mais visse
Que tive uma dor tão forte.

Desde que você foi embora
Eu perdi completamente o meu norte
Fiquei desorientado,
Mesmo assim segui em frente
Buscando caminhos novos
Com o meu coração dormente.

E agora você volta
Passa por mim e não me nota
Ou finge que não estou aqui
Rasga meu peito, toca o coração
E a dor que estava escondida
Outra vez grita seu nome...
Em vão!

Este prêmio recebo da Amiga e Eterna Apaixonada Helô. Obrigado!



Este lindo selo florido recebi da minha amiga Flor como presente de aniversário e, por motivos ténicos, somente hoje conseguimos encontrar o selo. Obrigado linda Flor!


Agora, se preferirem, vejam esta interpretação fantástica.
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