quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Um leve sussurro






















Eu que nunca fui cigano,
No meu tempo de menino,
Achei que li o meu destino
Na palma da sua mão.
No planeta que inventei
Eu era o seu grande rei,
Ou talvez o pequeno príncipe.
E em meio aos baobás
Você era a minha rosa
Tão delicada e teimosa
Que se aquilo não fosse amor
Talvez eu tivesse desistido.
Mas crescemos, perdemos o sonho,
Perdemos o trem na estação,
Não quisemos viagens a sós,
Não montamos o cavalo selvagem
Que talvez, por desafio,
Parou um dia diante de nós.
E num canto qualquer ficou
Registrada a nossa história
Sem começo, sem pé nem cabeça
Com as folhas jogadas ao vento
E um leve sussurro:
- Esqueça!
                                 (Alcides Vieira)


10 comentários:

  1. A vida é desse jeito. Encontros e desencontros que sequer imaginamos.
    Tudo é tão imprevisível e essa imprevisibilidade às vezes é dolorosa e às vezes tão fascinante!
    Conheço algumas pessoas que tiveram amor de infância, de pré-adolescência com amigos os quais foram criadas, mas não sei da história de nenhum que tenha durado sequer a adolescência. rs.
    São "amores" infantis, coisa inocente e platônica, sei lá... Nunca acho que essas coisas são para ser.
    Adoro o jeito que trabalha com as palavras.
    Beijos.

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  2. Bom dia Mi!

    São fases da vida, coisas que são para ser (em determinado momento), a gente é que perde a inocência.

    Eu também gosto da sua sinceridade nas palavras, principalmente na sua Coluna.

    Beijos!
    Alcides

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  3. Respostas
    1. Obrigado pelas palavras J.R.Viviani!

      Um abraço!
      Alcides

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  4. Um leve e perfeito sussurro para historias sem histórias.
    E uma bonita musica que combinou perfeitamente com o poema.
    Adoro Fagner mas esta eu nao conhecia.

    PS: E aì? Curtindo bastante as férias?rs
    Senti saudades.

    Beijo meu!

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  5. Eu também não conhecia a música, Lu. Mas foi a partir dela que eu mudei os rumos dos personagens do poema, que eu já havia começado. Era um final feliz rs.

    Curtindo bastante. Com esse calor,quando não saímos é só ficar sem camisa, de bermuda, bolo com sorvete, pés no chão e a cabeça nas nuvens. Assim fico igual ao Garfield rs. Ontem fui com a Bia e os filhotes ver Os Pinguins de Madagascar.

    Senti saudades também!
    Outro beijo!

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    Respostas
    1. A vida boa acaba amanhã Lu. Mas, sem reclamações, afinal faço o que escolhi.

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  6. Ola!
    Voltei para trazer-te o meu abraço com os votos de uma ótima semana e aproveito para dizer o mesmo que disse a Lu: não conhecia essa canção do Fagner e foi uma bela e feliz ilustração que combinou com a tua inspirada criação.
    Um forte abraço.

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  7. Bom dia Viviani, é com grande prazer que lhe recebo aqui. Muito obrigado pela visita! A música é mesmo linda.

    Um abraço!
    Alcides

    PS. Ótima escolha a sua falar sobre Machado de Assis lá no Vendedor de ilusão.

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